| Um "Magnólia" com os pés no chão |
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| Arquivado em: Artz | |||||||||
| Escrito por Alexandre Inagaki | |||||||||
| Dom, 13 de Novembro de 2005 17:39 | |||||||||
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Crash - No Limite, filme dirigido e roteirizado por Paul Higgis (roteirista do oscarizado Menina de Ouro, de Clint Eastwood), consegue prender a atenção do espectador, tem um elenco inspirado e um roteiro repleto de turning points cuidadosamente elaborados. E no entanto, por que me deu a sensação de decepção logo após descerem os créditos finais? Crash - No Limite, filme dirigido e roteirizado por Paul Higgis (roteirista do oscarizado Menina de Ouro, de Clint Eastwood), consegue prender a atenção do espectador, tem um elenco inspirado e um roteiro repleto de turning points cuidadosamente elaborados. E no entanto, por que me deu a sensação de decepção logo após descerem os créditos finais?
Começo a explicar esse paradoxo a partir da sensação de déjà vu que a estrutura do filme me deu. Crash - No Limite é mais um longa a polaroidizar a vida de diversos núcleos de personagens na cidade de Los Angeles. Segue, pois, os passos de antecessores como Grand Canyon - Ansiedade de uma Geração (1991), Short Cuts - Cenas da Vida (1993) e, mais recentemente, Magnólia (1999). Todos estes filmes abordam diversas histórias paralelas que acabam por se conectar ao final. Ok, a coincidência na estrutura narrativa não necessariamente é algo ruim. Mas o problema reside na comparação inevitável com as obras anteriores. Por exemplo: há uma seqüência na qual um personagem vê um carro se incendiar em um terreno baldio. A cena é pontuada pela música de uma cantora que lembra a voz de Aimée Mann, autora da trilha sonora de Magnólia. O personagem volta os olhos para cima, a fim de vislumbrar algo que começa a cair do céu, e a impressão clara que tive é de que, como no filme de Paul Thomas Anderson, choveriam sapos em Los Angeles. No entanto, Crash - No Limite não possui nenhuma cena com o lirismo surreal que faz de Magnólia um dos melhores filmes dos últimos tempos. Muito pelo contrário, todos os desdobramentos do roteiro possuem explicações lógicas e racionais. Do aparente milagre que salva a vida de uma criança até a incrível coincidência que faz com que um policial se redima de alguém que humilhou barbaramente na noite anterior, tudo é muito, muito bem explicadinho, explicitando os alicerces de uma carpintaria dramatúrgica esquematizada em excesso.
Porque Crash - No Limite é um filme que se assemelha àquelas dissertações de vestibular, com tese ("a sociedade americana é um caldeirão étnico pronto para explodir a qualquer hora"), argumentações (brancos temem negros, negros desdenham de orientais, orientais ofendem persas, persas abominam hispânicos, etc etc.) e conclusão ("o racismo é uma m..."), c.q.d. Tal qual numa daquelas propagandas da Benetton, Paul Higgis encontra uma maneira de encaixar personagens a simbolizar cada grupo étnico em seu filme: negros ricos, comerciantes iraquianos, brancos de classe média baixa, orientais escravizados. Ao mesmo tempo, a fim de tentar dar uma aura de complexidade aos seus personagens, Higgis faz com que cada um tenha a oportunidade de mostrar seu lado bom e seu lado ruim. Mas, em vez de tridimensionar as peças do seu tabuleiro dramatúrgico, Higgis limita-se a dicotomizá-las. É o caso do policial vivido por Matt Dillon, que é canalha truculento numa hora e filho zeloso e carinhoso na outra. Ou da dondoca interpretada por Sandra Bullock, racista patológica numa cena, melhor amiga da empregada mexicana na outra. E de praticamente todos os personagens do filme, enfim. Ao tratar os estigmas étnicos com um olhar ao mesmo tempo blasé e complacente, Paul Higgis limita-se a resvalar superficialmente na complexidade de uma sociedade traumatizada com os acontecimentos de 11 de setembro de 2001, imersa em paranóia, anomia e julgamentos apressados. É uma pena, pois, constatar que Crash - No Limite é um filme muito aquém de suas grandes ambições, apesar do potencial do diretor e das boas atuações de astros como Don Cheadle e Matt Dillon e de atores ainda relativamente desconhecidos, como Michael Pena (no papel de um chaveiro que conta histórias sobre capas invisíveis para a filha). Cotação: 2 e meio de 5 airbags.
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juliana do amaral
escreveu:
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O que eu acho do filme O filme é o melhor em termos de preconceito, Amei asisti-lo, amei mesmo quero recomendar pra quem quiser asistir filme que contem o que existe no nosso dia a dia.... "AMEI"![]() ![]() ![]() |
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