Lembrar-me
Filosofia
Deleuze Foucault e os saberes PDF Imprimir E-mail
Filosofia
Escrito por lathé   
Ter, 31 de Maio de 2011 03:04

Deleuze Foucault e os saberes

Deleuze fez questão de analisar minuciosamente o trabalho de Foucault no que desrespeitam a base de sua pesquisa. O que Foucault chamou de novo arquivista e novo cartógrafo, Deleuze confirma: tudo derivou da arqueologia do saber e da vontade de saber, como o enunciado, o significado, ver e falar, o oculto. Com base na espistemilogia estruturalista ele desenvolveu um material bastante variado e difícil assimilação, que diga de passagem, um material incalculável ultrapassando o que no inicio era estruturalista. Deleuze então traça um pensamento de particularidades baseando-se na arqueologia do saber e em outros tratados, que vai influenciá-lo em toda sua trajetória filosófica. Esse processo de analise da realidade, da pesquisa e da vida, onde Deleuze vai refletir em seu livro sobre Foucault. Deleuze cita: que não são os autos onde se pesquisa; os fichários, os documentos oficiais, os arquivos, e sim, a transversalidades que afetam esses documentos as suas fragmentações, os discursos isolados não oficiais, os conceitos do contexto datados na época em que são passadas, as rupturas longas ou curtas. Os relatos de pessoas, impressões de anônimos, tudo isso junto vai construir um discurso, um saber. Classificação da arqueológica de Foucault e muita vasta, passando pelo nascimento da clinica, história da loucura, vigiar e punir, até o mais complexo trabalho como as palavras e as coisas.

Última atualização em Qua, 09 de Novembro de 2011 10:56
 
Sem classe, por Giorgio Agamben PDF Imprimir E-mail
Filosofia
Escrito por Murilo Duarte Costa Corrêa   
Ter, 07 de Dezembro de 2010 13:54

 

Sem Classe

Giorgio Agamben


* Tradução de Murilo Duarte Costa Corrêa••

 


A máquina antropológica do humanismo é um dispositivo irônico que verifica, no Homo, a ausência de uma natureza própria, mantendo-o suspenso entre uma natureza celeste e uma terrena, entre o animal e o humano – e, assim, seu ser sempre menos e mais que si mesmo. Isso é evidente naquele “Manifesto do humanismo” que é a oração de Pico, que se continua impropriamente a chamar de hominis dignitate, ainda que não contenha – nem pudera, em todo caso, referir ao homem – o termo dignitas, que significa simplesmente “classe”. O paradigma que se apresenta não é nada edificante. A tese central da oração é, na verdade, que o homem, encontrando-se plasmado quando os modelos da criação estavam todos exauridos (iam plena omnia [scil. archetipa]; omnia summis, mediis infimisque ordinibus fuerant distributa), não pode ter nem arquétipo, nem lugar próprio (certam sedem), nem classe específica (nec munus ullum peculiare: Pico della Mirandola, 102). Ao revés, porque a sua criação se dera sem um modelo definido (indiscretae opus imaginis), ele não possui sequer uma face (nec propriam faciem: ibid.) e deve, a seu arbítrio, modelá-la em forma bestial ou divina (tui ipsius quasi arbitrarius honorariusque plastes et fictor, in quam malueris tute formam effingas. Poteris in inferiora quae sunt bruta degenerare; poteris in superiora quae sunt divina ex tui animi sententia regenerari: Pico della Mirandola, 102-104). Nessa definição, por meio de uma ausência de rosto, funciona a mesma máquina irônica que, três séculos mais tarde, impelirá Lineu a classificar o homem entre os Anthopomorpha, entre os animais “similares ao homem”. Enquanto não há nem essência nem vocação específica, Homo é constitutivamente não-humano, e pode receber toda natureza e toda face (Nascenti homini omnifaria semina et omnigenae vitae germina indidit Pateribid., 104) – e Pico pode sublinhar ironicamente a inconstância e a inclassificabilidade definindo-o o “nosso camaleão” (Quis hunc nostrum chamaleonta non admiretur?ibid.). A descoberta humanística do homem é a descoberta de seu faltar a si mesmo, de sua irremediável ausência de dignitas.

Última atualização em Qua, 08 de Dezembro de 2010 19:50
 
Tradução: "Antropogênese", de Giorgio Agamben PDF Imprimir E-mail
Filosofia
Escrito por Murilo Duarte Costa Corrêa   
Sex, 23 de Julho de 2010 00:00

Antropogênese
Giorgio Agamben

* Tradução de Murilo Duarte Costa Corrêa••

Tentemos enunciar sob a forma de teses o resultado provisório da nossa leitura da máquina antropológica da filosofia ocidental:
1) A antropogênese é o que resulta da cesura e da articulação entre o humano e o animal. Essa cesura passa, antes de mais nada, ao interior do homem.
2) A ontologia, ou filosofia primeira, não é uma inócua disciplina acadêmica, mas a operação em todo sentido fundamental em que se atua a antropogênese, o tornar-se humano do vivente. A metafísica é apanhada do início ao fim nessa estratégia: ela concerne, precisamente, àquela metá que completa e custodia a superação da phýsis animal em direção à história humana. Essa superação não é um evento que se cumpre de uma vez por todas, mas um acontecimento sempre em curso, que decide a cada vez, e em cada indivíduo, sobre o humano e o animal, sobre a natureza e a história, sobre a vida e a morte.
3) O ser, o mundo, o aberto não são, contudo, qualquer coisa diversa do ambiente e da vida animal: esses não são senão a interrupção e a captura da relação do vivente com seu desinibidor. O aberto não passa de uma captura do não-aberto animal. O homem suspende a sua animalidade e, desse modo, abre uma zona “livre e vazia” na qual a vida é capturada e abandonada em uma zona de exceção.
4) Mesmo porque o mundo é aberto pelo homem unicamente através da suspensão e da captura da vida animal, o ser é já sempre atravessado pelo nada, a Licthtung é já sempre Nichtung.
5) O conflito político decisivo, que governa todos os demais conflitos, é, na nossa cultura, aquele entre a animalidade e a humanidade do homem. A política ocidental é, a saber, co-originariamente biopolítica.
6) Se a máquina antropológica era o motor do devir histórico do homem, agora, o fim da filosofia e a realização das destinações epocais do ser significam que a máquina gira, hoje, em vão.
7) Dois cenários são, nesse ponto, possíveis na perspectiva de Heidegger: a) o homem pós-histórico não custodia mais a própria animalidade enquanto arcano, mas procura governá-la e tomá-la a seu cargo através da técnica; b) o homem, o pastor do ser, apropria-se da sua própria latência, da sua própria animalidade, que não resta escondida, tampouco é convertida em objeto de domínio, mas é pensada como tal, como puro abandono.


Tradução do original, em italiano, AGAMBEN, Giorgio. Antropogenesi. In: L’Aperto. Torino: Bolatti Boringhieri, 2003, p. 81-82.
•• Professor de Filosofia do Direito e Teoria do Direito, vinculado ao Departamento de Propedêutica do Direito da Faculdade de Direito do Centro Universitário Curitiba (UNICURITIBA); Professor do Curso de Direito do Centro de Ciências Sociais e Aplicadas da Fundação de Estudos Sociais do Paraná (CCSA/FESP-PR). Mestre em Filosofia e Teoria do Direito pelo Curso de Pós-Graduação em Direito da Universidade Federal de Santa Catarina (CPGD/UFSC). Graduado em Direito pela Faculdade de Direito da Universidade Federal do Paraná (FD/UFPR).

Última atualização em Sex, 23 de Julho de 2010 15:04
 
Pierre Hadot (1922-2010) PDF Imprimir E-mail
Filosofia
Escrito por Bernardo Rieux   
Ter, 27 de Abril de 2010 15:57

Faleceu ontem o filósofo francês Pierre Hadot, especialista em filosofia antiga.

Um de seus últimos textos, dedicado a Marco Aurélio, chamava a atenção à possibilidade de, para além de posições despóticas ou reduções do papel público aos desígnios privados, a filosofia tornar possível um "cidadão do mundo". Idéia semelhante a uma frase de Bergson, que orientou Hadot desde o início de seu percurso filosófico:

La philosophie n'est pas une construction de système, mais la résolution une fois prise de regarder naïvement en soi et autour de soi

Informes: Le Monde, NouvelObs, PhiloMag. Página sobre Hadot no Collège de France.

Última atualização em Ter, 27 de Abril de 2010 17:04
 
Kostas Axelos (1924-2010) PDF Imprimir E-mail
Filosofia
Escrito por Bernardo Rieux   
Seg, 08 de Fevereiro de 2010 23:17

Faleceu dia 4 de fevereiro o filósofo grego Kostas Axelos, autor de diversos livros sobre Heidegger e Marx. Em 1964, Gilles Deleuze escreveu:

Kosta Axelos (...) tem uma formação dupla, marxista e heideggeriana. E mais, a força e inspiração de um grego, sutil ou sábio. Ele censura seus mestres por não haverem rompido suficientemente com a metafísica, por não terem concebido suficientemente as potências de uma técnica ao mesmo tempo real e imaginária, por serem ainda prisioneiros das perspectivas que eles mesmos denunciavam.

Diante dos "mestres", Axelos ofereceria uma "filosofia nova" em livros como Vers la pensée planétaire, Marx penseur de la technique e Heráclito e a Filosofia (Cf. link acima). Há um escrito em edição brasileira, intitulado Horizontes do Mundo. Mais informes:

- Paris: Greek Philosopher Axelos dies

- Kostas Axelos, horizon ultime

- Death of noted philosopher Kostas Axelos

- Kostas Axelos, penseur du “Jeu du monde” (Le Monde, 22/4/1977)

- Wiki em ingles e francês (com referencias)

 
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