Lembrar-me
Grécia: O Nascimento da Plutocracia PDF Imprimir E-mail
Arquivado em:  Filosofia
Escrito por psicopr   
Ter, 26 de Abril de 2005 12:39

por Heitor Reis

 


"Plutocracia: Sociologia. Dominação da classe capitalista, detentora dos meios de produção, circulação e distribuição de riquezas, sobre a massa proletária, mediante um sistema político e jurídico, que assegura àquela classe, o controle social e econômico." (Aurélio Buarque de Holanda, Dicionário)

Erram redondamente nossos livros didáticos e professores quando nos ensinam que a Grécia seria o "berço da democracia". Muito antes pelo contrário! O sistema adotado lá privilegiava uma elite da população (em torno de 20 %), a qual dominava sobre o restante, que era literalmente composto por seus/deles escravos. E, para estes demoniocratas, quanto mais seus escravos se reproduzissem, melhor. Mais mao-de-obra barata à disposição de seus empreendimentos, ou para vendê-la e arrendá-la a quem desejasse. De uma maneira geral, esta visão de democracia permanece impactada em mentes brilhantes, mesmo de nossa esquerda apopléxica. É o caso do ex-Governador do DF e professor da UNB, Cristóvam Buarque, no programa especial para acompanhamento das eleições de 1998, apresentado por Boris Casoy, onde ele dogmatizava: "O país mudou. Agora estamos numa democracia. O PT tem de acompanhar esta evolução." (citado de memória) E, infelizmente, ele não é uma exceção. Tudo isto, apesar da forma inovadora e despojada, como governou o DF.... São líderes como este que pretendem substituir o atual estado das coisas e se consideram revolucionários, socialistas, democratas. Enquanto estivermos cegos para o fato de que não há democracia onde a maioria é apenas massa de manobra da direita ou da esquerda com o fito de se entronizar e, se possível também, eternizar-se no poder, tudo permanecerá como está. Eleições, por si só, não significam democracia. Não há eleições livres onde povo é escravo do marketing eleitoral, movido as custas de fortunas investidas nas campanhas de políticos inescrupulosos e mercenários. Os genuínos representantes do povo, então, em geral, se tornam foco do desprezo de seus próprios pares e companheiros, hipnotizados pelo glamour hollywoodiano dos candidatos oficiais, que preenchem o vazio de consciência em suas mentes operárias, cansadas e desprovidas do ócio que fermenta a observação e reflexão independente. Enquanto todos não forem de fato cidadãos, conscientes e lúcidos dos fatores que interferem em sua decisão no momento de exercer o sagrado direito do voto, continuaremos deitados eternamente no berço explêndido de uma farsa histórica chamada de "democracia grega". Enquanto todos não puderem gerar apenas o número de filhos que sua renda permita (se é que permitirá...) educar e formar cidadãos, permaneceremos entorpecidos na ilusão provocada pelo pó de pirlimpimpim da Venus Platinada e idolatrada desta aldeia global tupiniquim.
É fundamental que se torne do conhecimento público que o regime atual é uma Plutocracia, tal qual o era naquela época distante: "Plutocracia: Sociologia. Dominação da classe capitalista, detentora dos meios de produção, circulação e distribuição de riquezas, sobre a massa proletária, mediante um sistema político e jurídico, que assegura àquela classe, o controle social e econômico." (Aurélio Buarque de Holanda, Dicionário) É inegável a contribuição filosófica desta elite nas filosofias e nas artes, coisa que somente o ócio pode gerar. E somente há ócio onde alguém possua escravos ou serviçais similares a seu dispor, usufruindo comodamente do trabalho/lucro por eles produzidos a baixo custo. Sintomaticamente, Plutão é o senhor do inferno mitológico grego, para onde iriam as almas dos mortos, desde que pagassem para atravessar o Rio Aqueronte, na barca de Caronte. Atualmente, mesmo para viver num verdadeiro inferno de miséria, vícios e violência, o povo continua tendo de pagar seus impostos aos demoniocratas do capetalismo. Mas os idólatras de Plutão permanecem isentos deste tipo de derrama. Pouca coisa mudou desde a Mitologia e a "democracia" gregas. Exceto para quem anda cego pela proximidade ao brilho fascinante do podre poder plutocrático.
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Heitor Reis é Engenheiro Civil em Belo Horizonte, MG.
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Comentários (4)add comment

Rubim Geontelus escreveu:

0
A farsa grega...
Sr. Heitor Reis,

Esse seu artig é excelente. Os conceitos herdados dos gregos geralmente são distorcidos. Vejamos: o conceito de democracia é assim mesmo como o senhor explanou; a religião cristã foi distorcida baseada nesses mesmos conceitos falsos de democracia, bem como misturada com mitologias tanto da Antiga Grécia quanto do Império Romano e também de mitraísmo, etc.; o conceito de beleza grego é direcionado ao exterior, as aparências, a beleza física, etc., ao contrário do conceito oriental de beleza que mais direcionado aos valores interiores das pessoas. Existem muitos livros que provam tudo isso, e vou citar aqui dois deles para ajudar as pessoas que venham a ler esse seu texto maravilhoso: O Roubo da História, de Jack Goody, e a Serpente Cósmica, de John Anthony West.

Parabéns pelo excelente texto!smilies/smiley.gifsmilies/wink.gif
 
outubro 18, 2010 | url
Votação: +3

claudiono augusto queles jr escreveu:

0
Demoniocracia
Sr. Heitor
Muito interessante sua observação sobre o que seria a verdadeira democracia. Infelizmente a "democracia" brasileira é de poucos, seguindo o que foi preconizado por Noberto Bobbio interessa ao Estado Brasileiro quem governa e como governa nos moldes proposto por Políbio, aliás um historiador romano que percebeu: iludir o povo dando-lhe ares de governo é a maneira mais fácil de se permanecer no poder, seja da esquerda ou da direita!! Abraços
 
fevereiro 08, 2011
Votação: +0

Magno Silva escreveu:

0
Farsa grega?
Antes de mais nada, gostaria de parabeniza-lo pelo ótimo texto; o qual, conforme sua "autorização", já utilizei em sala de aula. Porém, devo discordar no que tange a Grécia: ela foi, sim, o berço da democracia, embora, claro, de forma ainda muito rústica. Para os gregos, notadamente os atenienses, a democracia era para os cidadãos gregos ( exclui-se, então, escravos e estrangeiros). Esta democracia, "firmada" a partir do Século V aC.,ainda era bastante, podemos afirmar, limitada; uma vez que devemos considerar que aquela cidade-estado havia saído a pouco de uma "monarquia". Todavia, isto são detalhes (e até arrisco em afirmar que seja uma questão de ponto de vista)que não desabonam em nada seu brilhante texto
 
agosto 17, 2011
Votação: +1

Pedro Melrinho escreveu:

0
Esplendido...
parabens pelas palavras.
 
maio 03, 2012
Votação: +1

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