Lembrar-me
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Entrevista (inédita) com Michel Foucault PDF Imprimir E-mail
Escrito por Bernardo Rieux   
Seg, 08 de Março de 2010 14:22

Segue abaixo reprodução de uma entrevista inédita com Michel Foucault, realizada em 7 de maio de 1981 e não inserida nos Ditos e Escritos. A compilação e tradução ao espanhol é da autoria de F. Colina y M. Jalón, e foi publicada no ano passado na Revista da Associação Espanhola de Neuropsiquiatria.

 

Última atualização em Seg, 08 de Março de 2010 14:33
 
Breve olhar sobre a obra de Gabriel Garcia Marqués.,, PDF Imprimir E-mail
Escrito por lathea   
Sáb, 06 de Março de 2010 21:42

Breve olhar sobre a obra de Gabriel Garcia Marques, livro Memórias de Minhas Putas Tristes.

O livro começa com uma avaliação precisa do fardo ao envelhecer. A coisa tem que ser feita antes que seja tarde. - Quando ele diz; Na minha idade cada dia é um ano. Uma tristeza que é quase solidão estabelece seus desejos, que são, sem entusiasmo, racional e melancólico.

Parágrafo: Moro..., onde passei todos os dias de minha vida, sem mulher, nem fortuna. O jeito que a vida se apresenta para ele.

Parágrafo: Ignoro por completo as leis da composição dramática, e se embarquei nessa missão é porque confio na luz do muito que li pela vida fora. Sou da raça sem méritos e sem brilho. Confessa-se um bom leitor, por isso, tanto faz as leis. E o fato de ser sem mérito e sem brilho, torna-o muito mais consistente. É essa causa solitária que ele toma pra si, para trilhar o caminho.

- G.Garcia; fazia anos que estava na santa paz com meu corpo, dedicado à leitura diária dos meus clássicos. Não existe nada mais sério e solitário ao se dedicar à leitura, ainda mais, a literatura clássica.

Última atualização em Qui, 11 de Março de 2010 13:15
 
Tradução: "O rosto", de Giorgio Agamben PDF Imprimir E-mail
Escrito por Murilo Duarte Costa Corrêa   
Sáb, 13 de Fevereiro de 2010 13:47


AGAMBEN, Giorgio. Il volto. In: Mezzi senza fine. Note sulla politica. Bollati Boringhieri: Torino, 1996, p. 74-80.

*Tradução de Murilo Duarte Costa Corrêa
http://murilocorrea.blogspot.com

Todos os seres viventes estão no aberto, manifestam-se e brilham na aparência. Porém, apenas o homem quer apropriar-se dessa abertura, tomar sua própria aparência, o próprio ser manifesto. A linguagem é essa apropriação que transforma a natureza em rosto. Por isso, a aparência torna-se um problema para o homem, o lugar de uma luta pela verdade.

O rosto é o ser inevitavelmente exposto do homem e, também, o seu próprio restar escondido nessa abertura. E o rosto é o único lugar da comunidade, a única cidade possível. Isso que, em cada singular, abre ao político, é a tragicomédia da verdade em que ele recai já, sempre, e à qual deve retornar desde o início.

Isso que o rosto expõe e revela, não é qualquer coisa que possa ser formulada nessa ou naquela proposição significante, nem mesmo é um segredo destinado a restar para sempre incomunicável. A revelação do rosto é a revelação da própria linguagem. Essa não tem, conseqüentemente, nenhum conteúdo real, não diz a verdade sobre esse ou aquele estado da alma ou de fato, sobre esse ou aquele aspecto do homem ou do mundo: é unicamente abertura, unicamente comunicabilidade. Caminhar pela luz do rosto significa seressa abertura, padecer dela.

Assim, o rosto é, sobretudo, paixão da revelação, paixão da linguagem. A natureza adquire um rosto no ponto em que se sente revelada pela linguagem. No rosto, seu ser exposto e traduzido na palavra, seu revelar-se na impossibilidade de haver um segredo, emerge como castidade ou perturbação, descaramento ou vergonha.

O rosto não coincide com a face.[i] Por toda parte em que algo alcança a exposição e tenta tomar o próprio ser exposto – por toda parte em que um ser aparece afundado na aparência e deve, desde o início, retornar a ela –, tem-se um rosto. (Assim, a arte pode dar um rosto até mesmo a um objeto inanimado, a uma natureza morta; e, por isso, as bruxas, que os inquisidores acusavam de beijarem o ânus de Satã durante o Sabá, respondiam que ainda assim se tratava de um rosto. E é possível, hoje, que toda a terra, transformada em um deserto da cega vontade dos homens, venha a tornar-se um único rosto).
Última atualização em Qui, 11 de Março de 2010 13:12
 
Kostas Axelos (1924-2010) PDF Imprimir E-mail
Escrito por Bernardo Rieux   
Seg, 08 de Fevereiro de 2010 23:17

Faleceu dia 4 de fevereiro o filósofo grego Kostas Axelos, autor de diversos livros sobre Heidegger e Marx. Em 1964, Gilles Deleuze escreveu:

Kosta Axelos (...) tem uma formação dupla, marxista e heideggeriana. E mais, a força e inspiração de um grego, sutil ou sábio. Ele censura seus mestres por não haverem rompido suficientemente com a metafísica, por não terem concebido suficientemente as potências de uma técnica ao mesmo tempo real e imaginária, por serem ainda prisioneiros das perspectivas que eles mesmos denunciavam.

Diante dos "mestres", Axelos ofereceria uma "filosofia nova" em livros como Vers la pensée planétaire, Marx penseur de la technique e Heráclito e a Filosofia (Cf. link acima). Há um escrito em edição brasileira, intitulado Horizontes do Mundo. Mais informes:

- Paris: Greek Philosopher Axelos dies

- Kostas Axelos, horizon ultime

- Death of noted philosopher Kostas Axelos

- Kostas Axelos, penseur du “Jeu du monde” (Le Monde, 22/4/1977)

- Wiki em ingles e francês (com referencias)

 
Tradução: Žižek, repressão, de Jean-Clet Martin PDF Imprimir E-mail
Escrito por Murilo Duarte Costa Corrêa   
Dom, 03 de Janeiro de 2010 11:11

Filósofo. Professor do Collège International de Philosophie em Paris, França. Autor de « Variations. La philosophie de Gilles Deleuze », publicado originalmente em 1993 pela coleção Petite Bibliothèque Payot.

 

 

 

Deleuze pensaria já como Hegel, mas sem querer – puro hegeliano reprimido. É uma tese de Žižek, em verdade, nada original, sabido que Deleuze não é nada acessível a essas categorias estreitas que constituem a repressão, ou a palavras terminadas em “...iano”. Aliás, ele não é mais bergsoniano que nietzschiano: ele é Deleuze. Um pensamento cujo percurso integra pontos e contrapontos segundo um dobramento que lhe pertence completamente, e no qual ele renova os trajetos, os limiares, em função dos conceitos que inventa. Trata-se, sobretudo, de uma maneira de retroceder seu pensamento, revelando no interior de uma filosofia algo que ali não figura, criando-se precursores, virtualidades que não existiriam não fosse essa criação.

Última atualização em Dom, 03 de Janeiro de 2010 14:09
 
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