NOTAS SOBRE "RECOMENDAÇÕES AOS MÉDICOS QUE EXERCEM A PSICANÁLISE" PDF Imprimir E-mail
Escrito por psicopr   
Sex, 15 de Abril de 2005 17:59

NOTAS SOBRE "RECOMENDAÇÕES AOS MÉDICOS QUE EXERCEM A PSICANÁLISE"

Bibliografia: FREUD, S.

Vol. XII da Edição Eletrônica das Obras Completas de Freud.

Editora Imago

Freud considera sobre a posição do psicanalista frente ao que deve ou não ser ouvido, tomar ou não notas no consultório, o uso do paciente para experiências "científicas", etc.

A tese central do texto situa-se em criar para o médico uma contra-partida à 'regra fundamental da psicanálise': Da mesma forma que o paciente não deve selecionar o que se diz, e sim falar o que lhe vier à cabeça (associação livre), o médico não prende atenção a determinado assunto do que a outros assuntos, pois "o que se escuta, na maioria, são coisas cujo significado só é identificado posteriormente". O analista, assim, não necessita esforçar-se para prestar atenção fixa durante um grande intervalo de tempo. O que Freud propõe é que a atenção fique "uniformemente suspensa", frente ao que se escuta. Isso torna a "ressonância" possível.

Ver-se-á que a regra de prestar igual reparo a tudo constitui a contrapartida necessária da exigência feita ao paciente, de que comunique tudo o que lhe ocorre, sem crítica ou seleção.

O analista deve conter as influências conscientes de sua atenção, sem se preocupar se está se lembrando de algo. Dá-se, aqui, uma "memória inconsciente".

Os elementos de análise que já formam "um todo coerente", ou já possuem um significado mais assegurado, "ficarão à disposição consciente do médico".

Sobre a "tomada de notas", Freud assegura que, frente à "memória inconsciente", tomar notas significa selecionar material na cadeia discursiva, além de causar muitas vezes impressões desfavoráveis ao paciente. Parte da atividade do analista também fixa-se às notas, "quando seria mais bem empregada na interpretação do que se ouviu". Fora da análise (fora dos objetivos da análise), o analista pode fixar-se em registros conscientes para atender a outros fins (ex: fins 'científicos'). No entanto, tomar notas durante o tratamento, no consultório, pode não atender aos objetivos do tratamento. Tomar notas de todos os fenômenos que ocorrem na análise (ítem C), além de não ser produtivos a um objetivo normal de análise, torna-se tarefa enfadonha a leitura de tais relatos.

Casos que são dedicados, desde o princípio, a propósitos científicos, e assim tratados, sofrem em seu resultado (ítem D)

Num tratamento psicanalítico, pesquisa e tratamento coincidem. Uma síntese de conteúdos se dá após o fim da análise (e se torna possível também aí). O curso de análise é difícil ser predito, fato essencial para operacionalização num método científico.

Um obstáculo para análise é a "ambição terapêutica" do analista, como qualquer emoção ou seleção relevante ao próprio analista em relação ao paciente. A "frieza emocional" do analista, além de necessária ao processo analítico, é vantajosa como "proteção" de sua vida privada e um maior auxílio possível ao paciente (não direcionando o paciente com conteúdos do próprio analista).

Censura: tendo a contrapartida de não selecionar materiais do paciente, o analista fica imune à sua própria censura (do analista). Ao selecionar materiais do paciente, o analista pode estar recusando-se a ver conteúdos de sua própria subjetividade.

O inconsciente do analista deve se colocar com o inconsciente do paciente como um receptor, de modo que o inconsciente do analista atuaria como um transmissor. O inconsciente do analista passa a ser um instrumento a mais de análise. Sintomas do analista, assim, passam a ser possivelmente prejudiciais, se o analista não sabe lidar com eles. Para evitar isso, é necessário o analista ter passado por uma "purificação psicanalítica". Vantagens da análise do analista, além da eliminação desses conteúdos que proporcionariam uma "cegueira" do médico, situam-se na própria elaboração dos conteúdos do analista e no contato entre analista e seu "guia". Um analista pode projetar conteúdos não-elaborados ao exterior, colocando assim em cheque a reputação do método que emprega.

Sobre o analista expor voluntariamente conteúdos ao paciente, para facilitar a relação terapêutica, fica como obstáculo ao tratamento a solução da transferência, já que "todo aquele que exige intimidade de outra pessoa deve estar preparado para retribuí-la"(ítem G). O paciente, assim, facilmente pode reverter a situação terapêutica (ex: perguntar ao médico um assunto de conveniência) e mascarar uma resistência. A não-dissolução da transferência e 'uma' possível resistência evidenciam uma não-elaboração de conteúdos inconscientes. "O médico deve ser opaco aos seus pacientes e, como um espelho, não mostrar-lhes nada, exceto o que lhe é mostrado"(ítem G).

Freud, no entanto, não condena os profissionais que intercalam certas doses de sugestão e análise, como é feito em muitas instituições. Apenas coloca que essa abordagem não é psicanalítica.

Tratamentos analíticos voltados à sublimação do instinto são, por Freud, desaconselháveis (ítem H). Isso devido à equívoca associação entre psicanálise e educação. O médico indicando novos objetivos ao paciente não constitui coisa certa, já que o que é indicado tende a não ser pertencente a uma possibilidade da estrutura do paciente. Por exemplo, alguns pacientes podem adoentar-se quando sublimam mais do que sua capacidade de sublimação.

A personalidade do paciente é o fator determinante do tratamento e seu curso. "É errado determinar tarefas ao paciente, tais como coligir suas lembranças ou pensar sobre um período específico de sua vida" (ítem I).

Intelectualidade, reflexão e atenção como atividades mentais não solucionam uma neurose.

Comentários (2)add comment

simone muciolo escreveu:

0
...
Gostaria de mais detalhes ou o texto na integra.
 
abril 05, 2007
Votação: +1

iaudygh escreveu:

0
...
Simone, entao compra o livro
 
fevereiro 19, 2008
Votação: +3

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Última atualização em Sáb, 29 de Agosto de 2009 12:31