Lembrar-me
Literatura
Saudades PDF Imprimir E-mail
Escrito por Valter Rodrigues   
Qua, 12 de Outubro de 2011 15:15

Oi me diga quem és
Acho que sou saudades
Vim de não sei onde
Talvez de cartas e dizeres
Ruas e olhares
Distâncias próximas
Vida breve muito longa

Um estar-se perto e não tocar 
Um estar-se longe e não falar
Mas agora moro aqui
Dentro do coração
Às vezes dormente
Ou como um furacão

É quando a lua me acorda

Lua, de céu e estrelas
Às vezes acordo com palavras
Outras vezes na falta de dizeres
Ainda não sei quem sou
Em que céu estou
Para que estrela olhar
Mas alguém me chamou e me saudou de 
Saudades

Valter Rodrigues

 

Última atualização em Qua, 09 de Novembro de 2011 10:56
 
CASTRO ALVES, CASTRO ALVES PDF Imprimir E-mail
Escrito por Silas Correa Leite   
Sáb, 16 de Abril de 2011 22:54





Poema Para Castro Alves

Para Antonio de Castro Alves (1847/1871)

In Memoriam

“Depois dos Navios Negreiros /Outras correntezas”

(Um Trem Pras Estrelas) - Cazuza, Gilberto Gil

.........................................................................

Castro Alves, Castro Alves

Os navios negreiros agora são outros

Os periféricos escravos terceirizados também

E todos sobrevivemos a um “salve geral”

Em mares bravios de urbanas irrazões; de dezelo público

Imbecilizadas humanas alojadas em estrumes palaciais

Entre espumas flutuantes de cervejas e esgotos, em chorumes...

Castro Alves, Castro Alves

Os românticos hoje estão com AIDS

E se dopam e se prostituem entre carentes

(Do infame capitalhordismo americanalhado)

Ou são emos que se poluem em tantos antros neomalditos

Afrobrasilis descendentes no sórdido neoliberalismo

De aspones entre usuários de craks, em cachimbos marginais...

Castro Alves, Castro Alves

O índio, o negro – quem não somos –

Na mestiçagem de pobres amalgamados também

Seres irados que danças como se hienas

Todos filhos desse solo, dessas seqüelas históricas, desenredos

Entre palácios de corvos do arbítrio e riquezas amorais

Samparaguai não conduz; é conduzido pelo crime organizado...

Castro Alves, Castro Alves

Tudo é nojo, luto, falso - um horror

A injusta Pátria-Nada é só remorso oficial

“O auriverde pendão de minha terra” balança, balança

Mas nos perdemos de nós, perdemos a fé, perdemos a esperança

De sermos parecidos com um país, um povo, uma nação

Terra de ninguém, explorados nessa pindorama de maracangalhas...

Castro Alves, Castro Alves

Áfricas tropicais com suas gomorras

De palafitas, favelas, guetos, becos, cortiços

E vamo-nos poetas malditos sem fúria; sem compromisso

Que não o de te lembrar com tristeza em cantagonia e temor

Há corrupção e impunidade sistêmicas, um horror

Pobres boiando em senzalas dos Sem Terra, Sem Pão, Sem Cor...

-0-

(2011 – 164 Anos do Nascimento do Poeta Castro Alves, que morreu aos 24 Anos em Salvador, Bahia)

(*)-Poema da Série “Recebe o Afeto Que se Encerra”, livro inédito do autor – Outono, Vila Sonia/Butantã/Samparaguai

-0-

Silas Correa Leite – De Santa Itararé das Artes, Sudoeste do Estado de São Paulo/Divisa com o Paraná, E-mail: poesilas[arrouba]terra.com.br

Site: www.portas-lapsos.zip.net

Última atualização em Qua, 12 de Outubro de 2011 15:17
 
VACILAGENS, Catequeses Misturebas - Poema Social PDF Imprimir E-mail
Escrito por Silas Correa Leite   
Sex, 15 de Abril de 2011 21:02

V A C I L A G E N S


(Catequeses Misturebas)

Para Marilena Chauí

“Nunca fomos catequizados.

Fizemos foi Carnaval... ”.

Oswald de Andrade

“Não fomos catequizados...

-Fizemos foi Carnaval”; um fuzuê

Um forfé – e, amalgamados

O europeu o índio e o negro

Que tudo acabou mistureba bundalelê

.................................................................

Que “catequizados” que nada

(Nem éramos ainda pátria amada)

E somamos então o crucifixado

Ao tupi-guarani ninhal pelo nosso lado

Depois da mestiçagem, do tropé

Nem cruz, nem conversão ou fé

Dos mitos trazidos da África mãe

Juntaram a Aparecida do Candomblé

Não fomos catequizados: qual o quê

(Quem essa historicidade não vê?)

Macumba, capoeira – a escravatura

E mais o silvícola de alma muito pura

Foi um mosaico, uma soma; aquarela

De terra em que se plantando tudo dá

Da galinha luso nauta ao mandorová

Foi uma patacoada de encher o pacová

Mas que bendito cristianismo que nada

(A exploração era a triste cruzada)

Foi um Carnaval só, a tal religião

Cana, ouro em pó, vacilagens (na inquisição...)

O jeitinho brasileirinho era um só

Do samba matreiro ao qüiproquó

De José de Anchieta à Marilena Chauí

Tudo um antropológico e antropofágico rififi

Casagrande, Senzala, cabocla babel

Mais a igreja exploradora; um bordel

A conversão foi cênica, só no papel

Do nativo ao bandeirante-bandido, vil infiel

.............................................................................

Não irmãos meus, não fomos catequizados

Entre arados – e rudes assim, amalgamados

Fizeram um baita carnaval tropical só

Ai pátria amada assim usurpada de dar dó!

Do pindorama às gerais, lusamérica, cafundó

E sambalelê: derramas entre ouro em pó

(“Comunga escravo, comunga que é “mió”)

Jeitinho brasileiríssimo; do nativo matuto coió

De sangrenta colonização, dessa quanta misturança vil

Sangrias e chorumes pariram esse nosso “Puta Brasil!”

-0-

Silas Correa Leite – E-mail: Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo.

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Poema social da série: NEGREDOS – Livro Inédito de Poesia Social do Autor

Última atualização em Qua, 12 de Outubro de 2011 15:17
 
Ao povo naufrago., PDF Imprimir E-mail
Escrito por biosas   
Qua, 16 de Março de 2011 21:57

Ao povo naufrago, perdão.

Japão arquipélago desdito íngreme ao mar

Vulcão tectônico a bulinar-te por traz

Montes gelo deslizante farinha

Escorrendo nas rochas

Nippon balé máscaras belas

Jardins cerejas faisões tubarões salamandras

Tua dança bufônica trovoada de tambores

Olhos quase cerrados a procurar no horizonte

Semelhantes pálidos levitando no oceano

Tuas ondas dragonicas ceifando teu quintal

A casa foi-se no maral

Levando o bambuzal

Removendo cada grão de arroz

As correntes transportam cascos cacos

Barcos navios lixo e telhados

Trágica radiação nuvem de aço sobrevoa teu terraço

Ogiva cilíndrica explodindo fumaça

Tua casaca dourada

Insuflando a pele derretendo a epiderme

Câncer tiróide triste vento que te assola

Ilha naufraga desolados infortúnios

Quisera ser Deus sustentar-te pelas mãos

Proteger-te da aflição

Agora rezo e espero

Que cesse essa maldição

Nem culpa nem perdão

A natureza é estranha desconhece toda razão

Tua ciência não entende inequívoca equação

Se o mar te levar sem quaisquer restrições

Ainda es Japão

Povo de Atlântida que um dia inventou a televisão

Ass, Biosas

Última atualização em Qua, 23 de Março de 2011 11:19
 
Poesia de uma mulher comum PDF Imprimir E-mail
Escrito por Neuzi Barbarini   
Ter, 14 de Dezembro de 2010 14:32

Olá amigos!

Está saindo do formo meu livro de poesias. Já está à venda no site da editora Scortecci, o site da Livraria Cultura e em breve no site das Livrarias Curitiba.

 

Aí vai um poema para "degustação"...

 

Indecência

Quando à noite

a chuva para de batucar seu samba nas janelas,

o silêncio é que uma quarta-feira de cinzas

trazendo consigo

uma tristeza quaresmeira do tempo de nossas avós.

Talvez por isso

os alarmes e o trânsito

adorem interromper o silêncio da chuva ida.

Nesses tempos,

hipermodernos,

tristeza é indecência

e não se mostra mais

nem mesmo aos travesseiros.

 

 

Última atualização em Dom, 06 de Fevereiro de 2011 13:46
 
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