Lembrar-me
CASTRO ALVES, CASTRO ALVES PDF Imprimir E-mail
Escrito por Silas Correa Leite   
Sáb, 16 de Abril de 2011 22:54





Poema Para Castro Alves

Para Antonio de Castro Alves (1847/1871)

In Memoriam

“Depois dos Navios Negreiros /Outras correntezas”

(Um Trem Pras Estrelas) - Cazuza, Gilberto Gil

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Castro Alves, Castro Alves

Os navios negreiros agora são outros

Os periféricos escravos terceirizados também

E todos sobrevivemos a um “salve geral”

Em mares bravios de urbanas irrazões; de dezelo público

Imbecilizadas humanas alojadas em estrumes palaciais

Entre espumas flutuantes de cervejas e esgotos, em chorumes...

Castro Alves, Castro Alves

Os românticos hoje estão com AIDS

E se dopam e se prostituem entre carentes

(Do infame capitalhordismo americanalhado)

Ou são emos que se poluem em tantos antros neomalditos

Afrobrasilis descendentes no sórdido neoliberalismo

De aspones entre usuários de craks, em cachimbos marginais...

Castro Alves, Castro Alves

O índio, o negro – quem não somos –

Na mestiçagem de pobres amalgamados também

Seres irados que danças como se hienas

Todos filhos desse solo, dessas seqüelas históricas, desenredos

Entre palácios de corvos do arbítrio e riquezas amorais

Samparaguai não conduz; é conduzido pelo crime organizado...

Castro Alves, Castro Alves

Tudo é nojo, luto, falso - um horror

A injusta Pátria-Nada é só remorso oficial

“O auriverde pendão de minha terra” balança, balança

Mas nos perdemos de nós, perdemos a fé, perdemos a esperança

De sermos parecidos com um país, um povo, uma nação

Terra de ninguém, explorados nessa pindorama de maracangalhas...

Castro Alves, Castro Alves

Áfricas tropicais com suas gomorras

De palafitas, favelas, guetos, becos, cortiços

E vamo-nos poetas malditos sem fúria; sem compromisso

Que não o de te lembrar com tristeza em cantagonia e temor

Há corrupção e impunidade sistêmicas, um horror

Pobres boiando em senzalas dos Sem Terra, Sem Pão, Sem Cor...

-0-

(2011 – 164 Anos do Nascimento do Poeta Castro Alves, que morreu aos 24 Anos em Salvador, Bahia)

(*)-Poema da Série “Recebe o Afeto Que se Encerra”, livro inédito do autor – Outono, Vila Sonia/Butantã/Samparaguai

-0-

Silas Correa Leite – De Santa Itararé das Artes, Sudoeste do Estado de São Paulo/Divisa com o Paraná, E-mail: poesilas[arrouba]terra.com.br

Site: www.portas-lapsos.zip.net

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Última atualização em Qua, 12 de Outubro de 2011 15:17
 
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