Lembrar-me
Michel Foucault
Ética e liberdade em Michel Foucault: uma leitura de Kant, por Celso Kraemer PDF Imprimir E-mail
Michel Foucault
Escrito por Bernardo Rieux   
Seg, 28 de Julho de 2008 17:42

Tese de Doutorado, junto à PUC-SP:

Location: http://www.sapientia.pucsp.br//tde_busca/arquivo.php?codArquivo=6203

A tese complementar ao doutorado de Foucault, sobre a Antropologia de Immanuel Kant, abre algumas perspectivas teóricas e metodológicas sobre seu trabalho. Dentre estas, a presente pesquisa investiga as possibilidades da ética e da noção de liberdade em Foucault. O fio condutor que perpassa todos os capítulos é a leitura de Kant que aparece em diversos textos "menores", sendo o primeiro justamente a tese complementar, no início do percurso intelectual deFoucault, e o último, sobre a Aufklärung kantiana, no final deste percurso. O tratamento dos dados segue o procedimento de Foucault na tese complementar: confrontar textos "menores" com textos mais canônicos do autor. Na tese complementar Foucault relacionou a Antropologia com as Críticas de Kant. No presente trabalho, estabelecem-se paralelos entre os textos "menores", em que Foucault aborda Kant, com os livros, com desta que para História da loucura e As Palavras e as coisas. O resultado mostra que há certo kantismo em Foucault, podendo-se apontá-lo na arqueologia e na genealogia. Nelas a Crítica kantiana parece obter novo vigor. Ela não deixa de sofrer certa atualização com Foucault. Assim, a Crítica arqueológica e genealógica busca as condições de possibilidade do surgimento, da duração e do desaparecimento de diferentes estratégias discursivas e não-discursivasdas práticas do saber-poder, no que ele chama de empiricidades históricas. Na outra extremidade, o domínio das empiricidades encontra-se marcado pela Abertura; nela, a Verdade mostra sua recíproca dependência com a Liberdade. Estes três domínios (Crítica, empiricidade e Abertura) constituem o espaço próprio também para a questão da ética e da liberdade, na imanência das relações de saber-poder. No jogo sujeição e autonomia se constitui a estéticada existência, enquanto arte de si; em função disso ela requer o cuidado de si, o conhece-te a ti mesmo e as práticas de si.
Última atualização em Sáb, 29 de Agosto de 2009 12:17
 
Rewriting the History of Madness PDF Imprimir E-mail
Michel Foucault
Escrito por Bernardo Rieux   
Dom, 11 de Maio de 2008 21:16
STILL, Arthur; VELODY, Irving. Rewriting the History of Madness - Studies in Foucault's `Histoire de la Folie'. London: Routledge, 1992

Já é conhecido do leitor familiarizado com os textos de Foucault que até agora, em língua inglesa, havia sido publicada uma versão de História da Loucura diminuída, intitulada Madness and Civilization. A tradução completa de Histoire de la Folie, entretanto, saiu apenas em 2006. Esse livro de STILL e VELODY pertence à espectativa dos leitores de língua inglesa que aguardam o impacto da nova tradução frente às incompletudes da antiga.

O livro todo circunda um comentário de Colin Gordon (Histoire de la Folie: a unknown book of Michel Foucault), que pode ser acessado gratuitamente (!) na página da edição.
 
Segurança, Território, População (em inglês) PDF Imprimir E-mail
Michel Foucault
Escrito por Bernardo Rieux   
Qua, 07 de Maio de 2008 22:47

Lançada a tradução inglesa de Segurança, Território, População, dedicadas aos cursos de 1977-78 do Collège de France. O curso segue Em Defesa da Sociedade, cuja última lição foi dedicada à "biopolítica".

Um fórum oriental dispôs a edição online, para download .

Abaixo, reproduzimos o informe.

Última atualização em Sáb, 29 de Agosto de 2009 12:18
 
Foucault, a Teoria Queer a e Homoparentalidade PDF Imprimir E-mail
Michel Foucault
Escrito por alberto carneiro   
Qua, 13 de Fevereiro de 2008 13:08
Este texto é um trecho de minha dissertação de Mestrado pela PUC-Rio intitulada "Se ele é artilheiro eu tambem quero sair do gol: um estudo sobre a co-parentalidade homossexual".

A teoria queer é uma nova abordagem pós-estruturalista que conta com a preciosa ajuda do referencial teórico de Foucault e Derrida, além da contemporânea Judith Butler. Provocar uma discussao além muros acadêmicos é meu objetivo. Peço desculpas pelo texto acadêmico, mas como tenho um estilo irreverente e simples, não é difícil de se ler. Quem quiser debater o assunto, será bem-vind@!
Última atualização em Dom, 17 de Fevereiro de 2008 21:13
 
Frederic Gros: A interiorização da loucura na modernidade. PDF Imprimir E-mail
Michel Foucault
Escrito por Bernardo Rieux   
Qua, 20 de Junho de 2007 10:26

Abaixo, consta a tradução (livre) de uma passagem de um excelente livro de Frederic Gros [pesquisa de livros] sobre Foucault, chamado "Foucault et la Folie" [pesquisa de livros]. Em questão, Gros está descrevendo o grande movimento histórico de interiorização da loucura efetuado entre os reformadores das instituições asilares, e o surgimento das ciências "psi". Movimento que confere ao "homem", em sua própria condição de objetivado, uma distância interior entre sua consciência e suas determinações. Distância que, em um primeiro momento, era mensurada no Asilo a partir de práticas eminantemente morais, para num segundo momento, correlativo à interiorização, receberem o estatuto de "científicas".

A objetivação alienante será retomada como relação concreta do médico com o doente (capítulo "O nascimento do asilo"). Toda a tese de Foucault consiste, desta vez, apoiando-se sobre os textos de Tuke e de Pinel, em demonstrar como a partilha clássica razão/desrazão é conservada em sua estrutura, construída não mais como distância social entre uma sociedade e suas margens, mas como distância do louco a si mesmo: interiorização da partilha. A empresa dos primeiros asilos se deixa descrever como uma vasta culpabilização. Falta que se crie entre o louco e ele mesmo uma distância para que advenha em si a tomada de consciência dolorosa de seu estado de louco, ressentido como falta, anomalia monstruosa. A partir de que, em um processo de objetivação incessante e controlado, o louco será conduzido a se considerar nesse estado como outro que se desejaria que seja, outro que ele deveria ser (que o que ele é normalmente). Ele deverá desejar coincidir com o tipo normal que se tem o cuidado de o representar como sua verdade. Há interiorização, no sentido em que a alienação não consiste mais em rejeitar o louco às margens delimitadas do exterior como sendo as zonas de uma einterdita, da falta, do mal, da animalidade, mas, guardando ao mesmo tempo o lugar institucional de uma alienação material (enclausuramento em um espaço guardado), a redobrar interiormente a alienação construindo-a como distância do louco a si mesmo. Curar um louco é, por uma série de operações em concerto, fazê-lo ressentir como falta a reparar sua própria loucura. Ele deverá aprender a vivê-la pela culpa. Curar, para um louco, é terminar por aceitar pela angústia, e por um perpétuo controle de si, essa identidade que um outro (o médico) o apresenta como sã. (Gros, F. Foucault et la Folie. Paris: Plon, 1997. p. 73-74)

Curioso eco essa passagem tem com o lugar de Hegel na argumentação foucaultiana. Para Foucault, Hegel extrai com todo rigor conceitual as medidas dos reformadores do Asilo, transformando-as num jogo interior do homem em sua busca por autonomização. Trata-se do interessante parágrafo 408 da Enciclopédia das Ciências Filosóficas e seus adendos, em que Hegel elogia a sensibilidade clínica de Pinel. Talvez essa passagem de Gros ajude a compreender a ligação entre Hegel e o asilo, em História da Loucura. À parte, o texto de Hegel é muito interessante de ser lido, especialmente as citações em forma de "estudo de caso" sobre as curas realizadas, as passagens sobre doença mental e orgânica, e como eram operadas as ‘curas’.

Última atualização em Sáb, 29 de Agosto de 2009 12:19
 
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