Lembrar-me
Política
Mais além dos direitos do homem, de Giorgio Agamben PDF Imprimir E-mail
Política
Escrito por Murilo Duarte Costa Corrêa   
Qua, 14 de Abril de 2010 18:17

 

Mais além dos direitos do homem[1]

Giorgio Agamben

Tradução de Murilo Duarte Costa Corrêa

Editor do blog A navalha de Dalí


1. Em 1943, Hannah Arendt publicava em uma pequena revista hebraica em língua inglesa, “The Menorah Journal”, um artigo intitulado We refugees, “Nós, refugiados”. Ao final desse breve, mas significativo, escrito, depois de ter polemicamente esboçado o retrato de Mr. Cohn, o hebreu assimilado que, depois de ter sido 150% alemão, 150% vienense, 150% francês, ao cabo, deve dar-se conta, amargamente, de que on ne parvient pas deux fois, essa invertida condição de refugiado e de apátrida que se encontrava vivendo, para propô-la como paradigma de uma nova consciência histórica. O refugiado que perdeu todo direito e cessa, porém, de querer-se assimilar a qualquer preço a uma nova identidade nacional para contemplar lucidamente a sua condição, recebe, em troca de uma segura impopularidade, uma vantagem inestimável: “a história não é mais, para ele, um livro fechado, e a política deixa de ser privilégio dos Gentios. Ele sabe que o banimento do povo hebraico na Europa foi seguida imediatamente do banimento da maior parte dos povos europeus. Os refugiados expulsos de país em país representam a vanguarda de seus povos”.

Última atualização em Seg, 19 de Julho de 2010 18:41
 
Tradução: "O rosto", de Giorgio Agamben PDF Imprimir E-mail
Política
Escrito por Murilo Duarte Costa Corrêa   
Sáb, 13 de Fevereiro de 2010 13:47


AGAMBEN, Giorgio. Il volto. In: Mezzi senza fine. Note sulla politica. Bollati Boringhieri: Torino, 1996, p. 74-80.

*Tradução de Murilo Duarte Costa Corrêa
http://murilocorrea.blogspot.com

Todos os seres viventes estão no aberto, manifestam-se e brilham na aparência. Porém, apenas o homem quer apropriar-se dessa abertura, tomar sua própria aparência, o próprio ser manifesto. A linguagem é essa apropriação que transforma a natureza em rosto. Por isso, a aparência torna-se um problema para o homem, o lugar de uma luta pela verdade.

O rosto é o ser inevitavelmente exposto do homem e, também, o seu próprio restar escondido nessa abertura. E o rosto é o único lugar da comunidade, a única cidade possível. Isso que, em cada singular, abre ao político, é a tragicomédia da verdade em que ele recai já, sempre, e à qual deve retornar desde o início.

Isso que o rosto expõe e revela, não é qualquer coisa que possa ser formulada nessa ou naquela proposição significante, nem mesmo é um segredo destinado a restar para sempre incomunicável. A revelação do rosto é a revelação da própria linguagem. Essa não tem, conseqüentemente, nenhum conteúdo real, não diz a verdade sobre esse ou aquele estado da alma ou de fato, sobre esse ou aquele aspecto do homem ou do mundo: é unicamente abertura, unicamente comunicabilidade. Caminhar pela luz do rosto significa seressa abertura, padecer dela.

Assim, o rosto é, sobretudo, paixão da revelação, paixão da linguagem. A natureza adquire um rosto no ponto em que se sente revelada pela linguagem. No rosto, seu ser exposto e traduzido na palavra, seu revelar-se na impossibilidade de haver um segredo, emerge como castidade ou perturbação, descaramento ou vergonha.

O rosto não coincide com a face.[i] Por toda parte em que algo alcança a exposição e tenta tomar o próprio ser exposto – por toda parte em que um ser aparece afundado na aparência e deve, desde o início, retornar a ela –, tem-se um rosto. (Assim, a arte pode dar um rosto até mesmo a um objeto inanimado, a uma natureza morta; e, por isso, as bruxas, que os inquisidores acusavam de beijarem o ânus de Satã durante o Sabá, respondiam que ainda assim se tratava de um rosto. E é possível, hoje, que toda a terra, transformada em um deserto da cega vontade dos homens, venha a tornar-se um único rosto).
Última atualização em Qui, 11 de Março de 2010 13:12
 
Privatização familiar PDF Imprimir E-mail
Política
Escrito por Amauri Ferreira   
Sex, 07 de Dezembro de 2007 16:19

Uma das questões mais essenciais da nossa época refere-se à crescente degradação ambiental e social que caracteriza as sociedades modernas. Vemos uma enorme valorização de tudo que é privado, em detrimento do espaço público. O filósofo Gilles Deleuze e o psicanalista Félix Guattari, através da contundente obra “Capitalismo e Esquizofrenia”, nos dizem que a família moderna tornou-se um microcosmo, virando as costas para a produção social.

Última atualização em Sáb, 29 de Agosto de 2009 12:25
 
'A doutrina do choque'. O tema do novo livro da ativista Naomi Klein PDF Imprimir E-mail
Política
Escrito por Naomi Klein   
Dom, 30 de Setembro de 2007 13:02
Reproduzimos entrevista com Naomi Klein, que lançou um livro interessante. Pretende unir vários acontecimentos do século  XX com mudanças econômicas, tais como as propagadas por figuras como Milton Friedman e Friedrich Hayek. Daí o título das mudanças econômicas associadas a outros acontecimentos: "A doutrina do choque" (com esse vídeo de divulgação). Lá vai (Fonte: Unisinus, dica do Desobediente):
 
O golpe de Pinochet no Chile. O massacre da Praça de Tiananmen. O Colapso da União Soviética. O 11 de setembro de 2001. A guerra contra o Iraque. O tsunami asiático e o furacão Katrina. O que todos esses acontecimentos têm em comum? É o que a ativista canadense antiglobalização Naomi Klein explica em seu novo livro The Shock Doctrine: The Rise of Disaster Capitalism [A doutrina do choque: O auge do capitalismo do desastre] – ainda sem tradução para o português. Naomi Klein em uma longa entrevista para o sítio La Haine, 27-09-2007, afirma que a história do livre-mercado contemporâneo foi escrita em choques e que os eventos catastróficos são extremamente benéficos para as corporações. Ao mesmo tempo a autora revela que os grandes nomes da economia liberal, como Milton Friedman, defendem o ‘capitalismo do desastre’. A tradução é do Cepat.
Última atualização em Dom, 30 de Setembro de 2007 13:04
 
Menoridade Criminal PDF Imprimir E-mail
Política
Escrito por Noé Pereira de Campos   
Dom, 04 de Março de 2007 19:08

Há dias estávamos numa polêmica em que uma corrente declara
ser hipocrisia achar que a redução da maioridade penal vai
"resolver" a criminalidade.

Além da hipocrisia, a grande distorção: NINGUÉM disse que vai
resolver, mas amenizar sim - inclusive porque quando a "Consti-
tuição" de 1988 abriu as comportas para os criminosos maiores
usarem os menores, desde então a criminalidade de "menores"
aumentou 300%.

Última atualização em Sáb, 29 de Agosto de 2009 12:26
 
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