Lembrar-me
Política
O Enfraquecimento da Sociedade Civil (2001) PDF Imprimir E-mail
Política
Escrito por Michael Hardt   
Sex, 13 de Janeiro de 2012 19:37

Fonte: HARDT, Michael. Il deperimento della società civile. Http://www.deriveapprodi.org/rivista/I/hardt17.html. Originalmente o ensaio foi publicado pelo periódico italiano Derive Approdi, n. 17.Trad. Selvino J. Assmann (Cf. considerações do tradutor no final), multiplicado por Desobediente.

O conceito de sociedade civil mereceu ultimamente renovado interesse não apenas na Europa ocidental ou na América do Norte, onde inclusive usufrui de longa e gloriosa carreira em apoio das posições políticas mais variadas, mas cá e lá no mundo inteiro, particularmente naqueles países na Ásia e na Europa oriental que estão vivendo a transição do socialismo para o capitalismo, assim como nos regimes pós-autoritários e pós-ditatoriais da América Latina. A sociedade civil é vista como a marca determinante de qualquer democracia: a infra-estrutura institucional decisiva para as mediações da política e para o mercado. Contudo, ao analisarmos as funções democráticas que o conceito e a realidade da sociedade civil tornaram possíveis, é importante também darmo-nos conta das funções de disciplina e exploração que são inerentes e inseparáveis destas mesmas estruturas. Além disso, devemos perguntar-nos se as instituições sociais necessárias para a construção e o funcionamento da sociedade civil ainda estão presentes nas formações sociais contemporâneas. O que pretendo defender é que, nos últimos anos, as condições de possibilidade para a sociedade civil ficaram progressivamente enfraquecidas na América do Norte, na Europa e noutros lugares (isso se de fato alguma vez existiu fora do mundo europeu)1. Mesmo que considerássemos a sociedade civil como a realidade politicamente mais desejável, qualquer apelo ao conceito no momento atual corre o risco de se tornar vazio e inútil.

Última atualização em Seg, 13 de Fevereiro de 2012 17:16
 
As voltas que., PDF Imprimir E-mail
Política
Escrito por l,a,t,h,e,a   
Ter, 22 de Março de 2011 19:47

As voltas que o mundo dá!

A situação na Líbia nesses últimos dias noticiada. A França e Inglaterra esperavam há muito tempo por esse revés. Foram muitos anos de embargo e agressões contra o ocidente europeu, que continuam. Segundo Muammar Kadhafi que acusa a Europa e os EUA de serem cães infiéis e traidores do governo Líbio. Naqueles tempos da hera socialista árabe, em que o ocidente foi os maiores culpados pela opressão na Líbia. Onde a resposta para isso, era ficar muito mais a esquerda, ou seja, perto à Rússia.

Última atualização em Qua, 23 de Março de 2011 11:19
 
Mais além dos direitos do homem, de Giorgio Agamben PDF Imprimir E-mail
Política
Escrito por Murilo Duarte Costa Corrêa   
Qua, 14 de Abril de 2010 18:17

 

Mais além dos direitos do homem[1]

Giorgio Agamben

Tradução de Murilo Duarte Costa Corrêa

Editor do blog A navalha de Dalí


1. Em 1943, Hannah Arendt publicava em uma pequena revista hebraica em língua inglesa, “The Menorah Journal”, um artigo intitulado We refugees, “Nós, refugiados”. Ao final desse breve, mas significativo, escrito, depois de ter polemicamente esboçado o retrato de Mr. Cohn, o hebreu assimilado que, depois de ter sido 150% alemão, 150% vienense, 150% francês, ao cabo, deve dar-se conta, amargamente, de que on ne parvient pas deux fois, essa invertida condição de refugiado e de apátrida que se encontrava vivendo, para propô-la como paradigma de uma nova consciência histórica. O refugiado que perdeu todo direito e cessa, porém, de querer-se assimilar a qualquer preço a uma nova identidade nacional para contemplar lucidamente a sua condição, recebe, em troca de uma segura impopularidade, uma vantagem inestimável: “a história não é mais, para ele, um livro fechado, e a política deixa de ser privilégio dos Gentios. Ele sabe que o banimento do povo hebraico na Europa foi seguida imediatamente do banimento da maior parte dos povos europeus. Os refugiados expulsos de país em país representam a vanguarda de seus povos”.

Última atualização em Seg, 19 de Julho de 2010 18:41
 
Ódios, políticas e o punk PDF Imprimir E-mail
Política
Escrito por Everton Moraes   
Ter, 16 de Março de 2010 03:15

 

Tratando do tema ódio Nietzsche afirma que a educação cristã formava homens com um ódio instintivo contra a realidade exterior, já que possuidores de uma extrema sensibilidade à dor, sendo que, para esse homem cristão, o mero fato de tocado é algo insuportável, uma vez que cada sensação se manifesta muito profundamente. Esse ódio volta-se contra si mesmo, já que para escapar dessa realidade exterior, esse homem reprime em si mesmo tudo aquilo que pode advir do contato com ela, tolhe essa experiência a tal ponto que nega a própria vida[1].

Na modernidade do capitalismo tardio, as pessoas também evitam o contato com a realidade. A sociedade do espetáculo as bombardeia com uma quantidade gigantesca de imagens e elas e elas já não encontram meio de se defender de tal ataque, sendo tarefa das mais difíceis, hoje, profanar a sacralidade dessas e imagens e dos valores que elas carregam. A perda de referencias existenciais, valores e crenças fixas, os labirintos intermináveis da vida contemporânea, reduzem em muito as resistências de homens e mulheres frente às dificuldades que encontram em seu cotidiano, no encontro com a realidade exterior. Todo obstáculo torna-se extremamente doloroso e demanda fugas para casas e condomínios seguros e imunizados contra o contato entre as pessoas, para o entretenimento da televisão ou para os antidepressivos.

Última atualização em Dom, 06 de Fevereiro de 2011 13:23
 
Tradução: "O rosto", de Giorgio Agamben PDF Imprimir E-mail
Política
Escrito por Murilo Duarte Costa Corrêa   
Sáb, 13 de Fevereiro de 2010 13:47


AGAMBEN, Giorgio. Il volto. In: Mezzi senza fine. Note sulla politica. Bollati Boringhieri: Torino, 1996, p. 74-80.

*Tradução de Murilo Duarte Costa Corrêa
http://murilocorrea.blogspot.com

Todos os seres viventes estão no aberto, manifestam-se e brilham na aparência. Porém, apenas o homem quer apropriar-se dessa abertura, tomar sua própria aparência, o próprio ser manifesto. A linguagem é essa apropriação que transforma a natureza em rosto. Por isso, a aparência torna-se um problema para o homem, o lugar de uma luta pela verdade.

O rosto é o ser inevitavelmente exposto do homem e, também, o seu próprio restar escondido nessa abertura. E o rosto é o único lugar da comunidade, a única cidade possível. Isso que, em cada singular, abre ao político, é a tragicomédia da verdade em que ele recai já, sempre, e à qual deve retornar desde o início.

Isso que o rosto expõe e revela, não é qualquer coisa que possa ser formulada nessa ou naquela proposição significante, nem mesmo é um segredo destinado a restar para sempre incomunicável. A revelação do rosto é a revelação da própria linguagem. Essa não tem, conseqüentemente, nenhum conteúdo real, não diz a verdade sobre esse ou aquele estado da alma ou de fato, sobre esse ou aquele aspecto do homem ou do mundo: é unicamente abertura, unicamente comunicabilidade. Caminhar pela luz do rosto significa seressa abertura, padecer dela.

Assim, o rosto é, sobretudo, paixão da revelação, paixão da linguagem. A natureza adquire um rosto no ponto em que se sente revelada pela linguagem. No rosto, seu ser exposto e traduzido na palavra, seu revelar-se na impossibilidade de haver um segredo, emerge como castidade ou perturbação, descaramento ou vergonha.

O rosto não coincide com a face.[i] Por toda parte em que algo alcança a exposição e tenta tomar o próprio ser exposto – por toda parte em que um ser aparece afundado na aparência e deve, desde o início, retornar a ela –, tem-se um rosto. (Assim, a arte pode dar um rosto até mesmo a um objeto inanimado, a uma natureza morta; e, por isso, as bruxas, que os inquisidores acusavam de beijarem o ânus de Satã durante o Sabá, respondiam que ainda assim se tratava de um rosto. E é possível, hoje, que toda a terra, transformada em um deserto da cega vontade dos homens, venha a tornar-se um único rosto).
Última atualização em Qui, 11 de Março de 2010 13:12
 
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