Lembrar-me
Política
Tradução: "O rosto", de Giorgio Agamben PDF Imprimir E-mail
Política
Escrito por Murilo Duarte Costa Corrêa   
Sáb, 13 de Fevereiro de 2010 13:47


AGAMBEN, Giorgio. Il volto. In: Mezzi senza fine. Note sulla politica. Bollati Boringhieri: Torino, 1996, p. 74-80.

*Tradução de Murilo Duarte Costa Corrêa
http://murilocorrea.blogspot.com

Todos os seres viventes estão no aberto, manifestam-se e brilham na aparência. Porém, apenas o homem quer apropriar-se dessa abertura, tomar sua própria aparência, o próprio ser manifesto. A linguagem é essa apropriação que transforma a natureza em rosto. Por isso, a aparência torna-se um problema para o homem, o lugar de uma luta pela verdade.

O rosto é o ser inevitavelmente exposto do homem e, também, o seu próprio restar escondido nessa abertura. E o rosto é o único lugar da comunidade, a única cidade possível. Isso que, em cada singular, abre ao político, é a tragicomédia da verdade em que ele recai já, sempre, e à qual deve retornar desde o início.

Isso que o rosto expõe e revela, não é qualquer coisa que possa ser formulada nessa ou naquela proposição significante, nem mesmo é um segredo destinado a restar para sempre incomunicável. A revelação do rosto é a revelação da própria linguagem. Essa não tem, conseqüentemente, nenhum conteúdo real, não diz a verdade sobre esse ou aquele estado da alma ou de fato, sobre esse ou aquele aspecto do homem ou do mundo: é unicamente abertura, unicamente comunicabilidade. Caminhar pela luz do rosto significa seressa abertura, padecer dela.

Assim, o rosto é, sobretudo, paixão da revelação, paixão da linguagem. A natureza adquire um rosto no ponto em que se sente revelada pela linguagem. No rosto, seu ser exposto e traduzido na palavra, seu revelar-se na impossibilidade de haver um segredo, emerge como castidade ou perturbação, descaramento ou vergonha.

O rosto não coincide com a face.[i] Por toda parte em que algo alcança a exposição e tenta tomar o próprio ser exposto – por toda parte em que um ser aparece afundado na aparência e deve, desde o início, retornar a ela –, tem-se um rosto. (Assim, a arte pode dar um rosto até mesmo a um objeto inanimado, a uma natureza morta; e, por isso, as bruxas, que os inquisidores acusavam de beijarem o ânus de Satã durante o Sabá, respondiam que ainda assim se tratava de um rosto. E é possível, hoje, que toda a terra, transformada em um deserto da cega vontade dos homens, venha a tornar-se um único rosto).
Última atualização em Qui, 11 de Março de 2010 13:12
 
Privatização familiar PDF Imprimir E-mail
Política
Escrito por Amauri Ferreira   
Sex, 07 de Dezembro de 2007 16:19

Uma das questões mais essenciais da nossa época refere-se à crescente degradação ambiental e social que caracteriza as sociedades modernas. Vemos uma enorme valorização de tudo que é privado, em detrimento do espaço público. O filósofo Gilles Deleuze e o psicanalista Félix Guattari, através da contundente obra “Capitalismo e Esquizofrenia”, nos dizem que a família moderna tornou-se um microcosmo, virando as costas para a produção social.

Última atualização em Sáb, 29 de Agosto de 2009 12:25
 
'A doutrina do choque'. O tema do novo livro da ativista Naomi Klein PDF Imprimir E-mail
Política
Escrito por Naomi Klein   
Dom, 30 de Setembro de 2007 13:02
Reproduzimos entrevista com Naomi Klein, que lançou um livro interessante. Pretende unir vários acontecimentos do século  XX com mudanças econômicas, tais como as propagadas por figuras como Milton Friedman e Friedrich Hayek. Daí o título das mudanças econômicas associadas a outros acontecimentos: "A doutrina do choque" (com esse vídeo de divulgação). Lá vai (Fonte: Unisinus, dica do Desobediente):
 
O golpe de Pinochet no Chile. O massacre da Praça de Tiananmen. O Colapso da União Soviética. O 11 de setembro de 2001. A guerra contra o Iraque. O tsunami asiático e o furacão Katrina. O que todos esses acontecimentos têm em comum? É o que a ativista canadense antiglobalização Naomi Klein explica em seu novo livro The Shock Doctrine: The Rise of Disaster Capitalism [A doutrina do choque: O auge do capitalismo do desastre] – ainda sem tradução para o português. Naomi Klein em uma longa entrevista para o sítio La Haine, 27-09-2007, afirma que a história do livre-mercado contemporâneo foi escrita em choques e que os eventos catastróficos são extremamente benéficos para as corporações. Ao mesmo tempo a autora revela que os grandes nomes da economia liberal, como Milton Friedman, defendem o ‘capitalismo do desastre’. A tradução é do Cepat.
Última atualização em Dom, 30 de Setembro de 2007 13:04
 
Menoridade Criminal PDF Imprimir E-mail
Política
Escrito por Noé Pereira de Campos   
Dom, 04 de Março de 2007 19:08

Há dias estávamos numa polêmica em que uma corrente declara
ser hipocrisia achar que a redução da maioridade penal vai
"resolver" a criminalidade.

Além da hipocrisia, a grande distorção: NINGUÉM disse que vai
resolver, mas amenizar sim - inclusive porque quando a "Consti-
tuição" de 1988 abriu as comportas para os criminosos maiores
usarem os menores, desde então a criminalidade de "menores"
aumentou 300%.

Última atualização em Sáb, 29 de Agosto de 2009 12:26
 
Chove PDF Imprimir E-mail
Política
Escrito por Miriam Lemos   
Qui, 04 de Janeiro de 2007 09:42
Já há quase 2 horas "chove bala" no bairro tijucano do Rio de Janeiro.
São tiros de artilharia pesada e lembram uma guerra "digna" dos países beligerantes, já que o nosso é um recanto paisagístico que, no curso desse novo ano de 2007, sediará o PAN.
 
Lembro bem que, nos idos de 60/70...o comportamento geral dos cidadãos poderia ser definido como a instituição da paranóia generalizada. Explico: não sabíamos, exatamente, qual a origem de determinadas situações de insegurança social, se devido às forças do governo ou aos resistentes ao regime, pois as estratégias eram parecidas. À tortura se respondia com sequestro; à morte se respondia com mais mortes; à organização da militância política armada com bombas, gás lacrimogênio e cassetete. Às bombas e gases se respondia com roubo a bancos e lavagem cerebral. Às decisões do Executivo se respondia com mais resistência; à censura e repressão, com música, cinema e clandestinidade.
 
 
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