| Chove |
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| Arquivado em: Política | |||||||||||||||
| Escrito por Miriam Lemos | |||||||||||||||
| Qui, 04 de Janeiro de 2007 09:42 | |||||||||||||||
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Já há quase 2 horas "chove bala" no bairro tijucano do Rio de Janeiro. São tiros de artilharia pesada e lembram uma guerra "digna" dos países beligerantes, já que o nosso é um recanto paisagístico que, no curso desse novo ano de 2007, sediará o PAN. Lembro bem que, nos idos de 60/70...o comportamento geral dos cidadãos poderia ser definido como a instituição da paranóia generalizada. Explico: não sabíamos, exatamente, qual a origem de determinadas situações de insegurança social, se devido às forças do governo ou aos resistentes ao regime, pois as estratégias eram parecidas. À tortura se respondia com sequestro; à morte se respondia com mais mortes; à organização da militância política armada com bombas, gás lacrimogênio e cassetete. Às bombas e gases se respondia com roubo a bancos e lavagem cerebral. Às decisões do Executivo se respondia com mais resistência; à censura e repressão, com música, cinema e clandestinidade. Falava-se, nos idos, de terroristas, em razão da motivação política da luta da esquerda. Hoje, o termo esquerda nem sempre quer dizer resistência e divergência, e o termo direita nem sempre soa estranho e temível. Terrorismo pode ser sinônimo de luta por pontos de tráfico, tanto quanto pode ser sinônimo de vigilância e controle social por parte da polícia, já que os moradores das comunidades de baixa renda tem mais aversão ao policial do que ao bandido com quem são obrigados a conviver. No meio dessa orgia de valores e idéias, oito pessoas foram queimadas vivas porque se atreveram a cruzar os limites entre os Estados do Espírito Santo e São Paulo. Amarga e quase teológica travessia para eles, seus familiares, amigos e para todo o país. O que está acontecendo? Não se sabe ao certo se por causa do PAN, que é a "menina dos olhos" da Prefeitura e do Governo do Estado do Rio de Janeiro, ou se pela causa primeira de resguardar a integridade dos cidadãos cariocas, o certo é que a intervenção federal evitada a duras penas pela ex-governadora tornou-se, no dia de hoje, a realidade aguardada pela esquerda (?) carioca. Nesse ínterim, dois estudantes, ao que tudo indica, resolveram brincar dentro de um ônibus e, vindos de uma festa e indo para outra, anunciaram que poriam fogo no ônibus! Lamentável "coincidência", encontraram-se diante de um "segurança" contratado pela empresa, que desferiu, atirando primeiro para perguntar depois (moral militar de Guerra), vários tiros, matando, ao mesmo tempo, os dois brincalhões e a esperança do futuro de cada um dos cidadãos deste país. Não se sabe do (a) "segurança"... Mata-se, na verdade, toda e qualquer manifestação ideológica. Não se pode pensar, especialmente quando se pensa críticamente, pois não foi outra a questão: os dois festivos jovens criticavam a situação paranóide que foi implantada no Estado, quando encontraram a realidade paranóica dos cidadãos. Novamente, à morte pelo fogo se responde com mais morte e mais fogo. O medo é um valor, não só um sentimento de realidade. O medo é mote de uma série de situações que geram lucro, como o PAN, o tráfico, as guerras. É preciso ter medo, a mensagem é clara. Não estou duvidando da beleza, da lição de vida que nos trazem os jovens que se esforçam e dedicam suas vidas, seus corpos, seu tempo, enfim, que devotam-se aos esportes. Muito menos criticando os nossos administradores pelo cuidado com a realidade social e econômica, que, afinal, é sua incumbência. Estou duvidando da relação direta entre o PAN e o endurecimento da situação no Estado. Há mais nessa guerra do que supõem nossas notícias diárias. Lendo Malinowski entende-se que o vigor da cultura é precisamente a Liberdade. Sem liberdade não se instrumentalizam as condições que nos retiram da submissão ao acaso. Quando nos falta Liberdade abre-se a brecha do terrorismo, que não é outra coisa além da paralisação das populações diante do caos do entendimento, e da impossibilidade, traumática, de reagir à violência imposta, em condições de igualdade. Miriam Lemos.
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Neuzi B.
escreveu:
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indústria do PÂNICO Li em algum lugar que a indústria do medo já corresponde a mais de 2% do PIB, e tenho cá pra mim que essa cifra não deve computar os valores gastos com calmantes, psicólogos, chazinhos e garrafadas "para os nervos"... é mesmo muito lucrativa essa indústria do PÂNICO. A aparência limpa e bem torneada do esporte praticado no PAN faz com que pareça até pecado desconfiar dele, mas não nos esqueçamos que por trás dos valores como o esforço, respeito, espírito de equipe, solidariedade, existem outros como o "culto í performance", lavagem de dinheiro, doping, alguns poucos Ronaldos e a Globo faturando alto com a venda de emoções pré-fabricadas e por aí vai, que no fundo são os que valem mesmo, afinal, quem ainda acredita que haja respeito no esporte? Alguns atletas de ponta só não se matam a tiros porque pegal mal, afinal, isso é coisa de "traficante". Â, dá saudade do tempo em que se lutava contra um inimigo definido e por causas que pareciam justas, agora "a indefinição é o regime", como diz a canção, "e dançamos com uma graça cujo segredo nem eu mesma sei. Entre a delícia e a desgraça. Entre o monstruoso e o sublime"... em alguns lugares, ultimamente, mais monstruosos que sublimes... Neuzi |
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Fala-se em paz... Ah, infelizmente, é isso mesmo... Fala-se tanto em "paz", em "segurança", mas são conceitos tão vagos... O que querem na verdade é que vivamos com medo. E quem quer isso? Exatamente aqueles que lucram com essa indústria, e não são só os traficantes... há muita gente envolvida nesse negócio sujo. AH muito triste. Inclusive porque se generaliza entre as pessoas a idéia de que é preciso andarem armadas para se defender. Haja vista a resposta da população no plebiscito referente ao uso de armas... Mas se defender de quem, afinal? Já não sabemos mais quem é o inimigo. |
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... A nova onda é a generalização da violência. Quanto mais ela se infiltrar nas micro relações-sociais, melhor para o sistema. Foucault e a Microfísica do poder. Como os casos de bullying e mobbing. A violência é moeda. O pânico vende. O PANico vende. A bala perdida vende. A polícia, desarticulada, vende. Ônibus queimado vende. A mídia-abutre vende. E quem está no meio do fogo cruzado compra. E quem está longe do fogo cruzado compra. A segurança é o mais valioso produto do capitalismo contemporâneo. E entre os que vendem e os que compram a maioria se perde em ideologias frágeis, imediatistas, narcisistas, hedonistas. Por meio dessas o homem busca poder e se transforma em opressor. Grita com o frentista no posto como se este fosse o culpado pelo preço da gasolina; ofende a mocinha do telemarketing do banco como se ela fosse a responsável pela norma, vira uma fera com os filhos porque eles não entendem que precisam parar de correr dentro de casa (único local onde podem brincar assegurados), e por aí vai. Somos como um passageiro metropolitano, vendo pela janela do vagão tudo passar numa velocidade estúpida, que impede o raciocínio por ser este menos veloz do que aquela, e na medida em que nos sentimos oprimidos nos tornamos opressores. O tempo é veloz demais numa sociedade em que ele é dinheiro. Como pensar em meio a uma equação cujos elementos são tempo, violência, busca por dinheiro e pânico? Desaprendemos(?). Arnaldo PS: Neuzi, você tem razão, não há mais esporte, da Grécia í Copa do Mundo; depois da Revolução Industrial, esporte não existe mais. O sistema o transformou nisso que você descreveu. inclua em seu comentário mais um item: a Nike. |
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