| Excertos sobre Neoliberalismo |
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| Arquivado em: Política | |||
| Escrito por psicopr | |||
| Seg, 25 de Abril de 2005 16:10 | |||
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Algumas citações de um livro interessante. "O neoliberalismo chileno [Pinochet], bem entendido, pressupunha a abolição da democracia e a instalação de uma das mais cruéis ditaduras militares do pós-guerra. Mas a democracia em si mesma - como explicava incansavelmente Hayek - jamais havia sido um valor central do neoliberalismo. A liberdade e a democracia, explicava Hayek, podiam facilmente tornar-se incompatíveis, se a maioria democrática decidisse interferir com os direitos incondicionais de cada agente econômico de dispor de sua renda e de sua propriedade como quisesse." (p.19-20) "Menen, Carlos Andrés e Fujimori, aliás, prometeram exatamente o oposto das políticas radicalmente antipopulistas que implementaram nos anos 90. E Salinas, notoriamente, não foi sequer eleito, mas roubou as eleições com fraudes." (p.21) "A lição que fica da longa experiência boliviana é esta: há um equivalente funcional ao trauma da ditadura militar como mecanismo para induzir democrática e não coercitivamente um povo a aceitar políticas neoliberais das mais drásticas. Este equivalente é a hiperinflação." (p.21) "(...) confiou-me que o problema crítico no Brasil durante a presidência de Sarney não era uma taxa de inflação demasiado alta - como a maioria dos funcionários do Banco Mundial tolamente acreditava -, mas uma taxa de inflação demasiado baixa. Esperemos que os diques se rompam', ele disse, precisamos de uma hiperinflação aqui, para condicionar o povo a aceitar a medicina deflacionária drástica que falta neste país'". (p.22) "Economicamente, o neoliberalismo fracassou, não conseguindo nenhuma revitalização básica do capitalismo avançado. Socialmente, ao contrário, o neoliberalismo conseguiu muitos dos seus objetivos, criando sociedades marcadamente mais desiguais, embora não tão desestatizadas como queria. Política e ideologicamente, todavia, o neoliberalismo alcançou êxito num grau com o qual seus fundadores provavelmente jamais sonharam, disseminando a simples idéia de que não há alternativas para os seus princípios, que todos, seja confessando ou negando, têm de adaptar-se a suas normas. Provavelmente nenhuma sabedoria convencional conseguiu um predomínio tão abrangente desde o início do século como o neoliberal hoje. Este fenômeno chama-se hegemonia, ainda que, naturalmente, milhões de pessoas não acreditem em suas receitas e resistam a seus regimes." (p.23) "De novo, a função pedagógica perversa da hiperinflação foi administrada a conta-gotas durante a primeira parte do governo Itamar, precisamente para produzir o terreno fértil no qual se joga a semente neoliberal e ela progride. Acompanhamos as peripécias do governo Itamar até a posse do senador FHC no Ministério da Fazenda, preparando a URV, forma pedagógica de incutir a desesperança nas formas econômicas, sociais e políticas que estavam sendo construídas, que lutaram contra o projeto neoliberal, para uma nova investida neoliberal."(p.26) "(...) pois, enquanto a economia se recupera, o social piora." (p.26) "Em primeiro lugar, para falar de forma utópica, ele [neoliberalismo]ataca as bases da esperança que se construiu nos anos mais duros. O que não é uma coisa de menor importância. Ataca esse vigoroso movimento popular, que se reergueu e obrigou o governo a rever políticas. Metamorfoseia esse movimento de esperança num movimento derrotista. Destrói o princípio de esperança e abre as comportas para uma onda conservadora de que o Brasil não tem memória." (p. 27) "Os objetivos são os mesmos, lá [na Inglaterra de Tatcher] e cá. Trata-se de destruir a capacidade de luta e de organização que uma parte importante do sindicalismo brasileiro mostrou. É este o programa neoliberal em sua maior letalidade: a destruição da esperança e a destruição das organizações sindicais, populares e de movimentos sociais que tiveram a capacidade de dar uma resposta à ideologia neoliberal no Brasil." (p.28)
"Pois bem, esta expansão enorme dos mercados financeiros tem uma grande importância em vários aspectos. Primeiro, os mercados financeiros são mercados muito competitivos, possuem, eles mesmos, uma forte dinâmica competitiva. Segundo, têm impacto considerável na profunda mudança produzida nas relações entre os mercados e os Estados. Os Estados nacionais chegaram a ser muito menores do que este novo mercado financeiro mundial, ao mesmo tempo em que passaram a depender da confiança destes mercados para implementar grande parte das políticas estatais. Encontramo-nos também diante de uma situação inversa à dos anos 30 e 40: estes mercados podem gerar muito mais capital do que o próprio Estado. Esta é uma força objetiva, que hoej estimula a onda de privatizações. Existem motivos políticos e ideológicos para as privatizações, claro. No entanto, e isto é muito importante, também existe uma mudança nas relações de força entre os Estados e os mercados. Este processo nas economias competitivas pós-industriais foi importante na medida em que também definiram os parâmetros de transformação nas economias e nas próprias sociedades dos regimes da Europa oriental. O comunismo desta região foi uma expressão do processo de industriallização. Neste sentido, podemos dizer que ele obteve sucesso. O crescimento industrial da Europa oriental foi, em muitos aspectos, impressionante. Estes países, historicamente mais pobres, chegaram quase a igualar-se aos países do resto da Europa por volta dos anos 60. No entanto, toda a situação mudou drasticamente com o processo de desindustrialização, com as novas formas de produção, com o desenvolvimento da economia de serviços e com as novas formas de gerenciamento empresarial. O socialismo da Europa oriental não pôde adaptar-se à nova força de à nova dinâmica dos mercados." (p. 45) "As crises constituem o ritmo de vida do capitalismo. De fato, as crises cíclicas fazem parte da vida normal deste sistema social e histórico. No entanto, no atual período, o capitalismo não engrenta uma contradição econômica estrutural, uma crise econômica estrutural. (...) devemos dizer que a contradição fundamental do capitalismo atual é mais ideológica do que econômica. Ela se manifesta na destruição social criada pelo poder do mercado. Vemos em todos os países, não somente na América Latina, tendências a um desemprego de massas de caráter permanente, uma reprodução da pobreza e, também, o surgimento de altos graus de desesperança e de violência, inclusive nos países escandinavos. Esta tendência autodestrutiva da competição atual no capitalismo, geradora de mecanismos cada vez mais intensos de exclusão social de uma grande parte da população, é um aspecto central desta contradição sociológica."(p.48) "É interessante ver como a viragem neoliberal em curso vem alterando o "senso comum" sobre a questão. Quando a Petrobrás foi criada, na década de 50, havia um grande consenso no Congresso Nacional em relação à oportunidade do estabelecimento desse monopólio estatal, fruto de intensa campanha popular de mobilização e esclarecimento. As críticas formuladas a Getúlio no parlamento reclamavam justamente do caráter recuado do seu projeto - os parlamentares queixavam-se de que ele fazia concessões em demasia ao capital estrangeiro. Hoje o clima é outro, e esse consenso nacional já não existe mais. Ele não resistiu à campnanha deliberada, incessante e brutal contra os monopólios estatais movida pelos poderosos monopólios privados que dominam a mídia do país."(p.55)
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