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Notas sobre "A Dissecção da Personalidade Psíquica" PDF Imprimir E-mail
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Escrito por psicopr   
Sex, 15 de Abril de 2005 17:43

Notas sobre "A Dissecção da Personalidade Psíquica"

Notas sobre a Conferência nº 31 das Conferências Introdutórias

sobre Psicanálise, de Freud (1932).

João Tarrou 1999-11-01

Freud inicia a conferência apresentando que o ego pode ser comparado com um espelho; num doente mental severo, esse espelho estaria quebrado, de forma que num neurótico normal há apenas as fissuras microscópicas que permitiriam a quebra não casual do espelho, mas obedecendo a essas fissuras, no caso do desenvolvimento de uma doença. Alude Freud ao fato segundo qual os doentes mentais seriam excluídos a longo tempo na história.

Se o ego pode ser constituído por várias partes, o ego, estruturado como sujeito, pode ser o próprio objeto de si. Uma instância do ego que pode vigiar a si mesmo poderia ser chamada de consciência. Ou, em outras palavras, superego. A presença de um superego no paranóico, por exemplo, se daria numa projeção dele em objetos exteriores. Há duas coisas que limitam o ego; instâncias internas e instâncias externas. No caso de um surto de melancolia, o superego atua como um juiz repressor em grau máximo.

Os precursores da moralidade, ou os pais, são quem cumpre o papel da consciência da criança. Estas desenvolvem seus sentimentos de culpa em relação ao medo da perda do amor aos pais, diante uma proibição. Quando ocorre a ocasião secundária, o superego é internalizado, enquanto os objetos podem ser exteriorizados para a busca do prazer.

Identificação: assemelhar-se um ego a outro ego. A identificação pode ser comparada por uma voracidade oral (uma incorporação) de outro objeto. Aparece por meio do processo de identificação a dialética Ter/ser, onde encontram-se mais dados em "Um Estudo Psicológico sobre Thomas Woodrow Wilson". Isso mostra que identificação e escolha objetal podem ser diferentes uma da outra, embora não necessariamente. O ego pode identificar-se também com seu objeto. Acontece também, quando as pessoas perdem objetos, a identificação com esses objetos externos que foram perdidos. Assim, uma identificação garante no interno aquilo que foi perdido pelo externo.

O Superego é herdeiro do Complexo de Édipo. Isso se comprova que, pela repressão, a criança abandona sua catexia em relação ao objeto de amor. Assim, para Ter ou ser o objeto de amor, a criança identifica-se com quem o tem ou com quem o é.

Relacionado com o superego também está o ideal de ego, que seria um substitutivo das relações afetivas positivas com os pais da criança. O ideal de ego atua como algo que supõe a ação em vias de um ideal a ser atingido. Representa também a admiração que a criança teria pelos pais, e o jogo de identificação que levaria a ser esse objeto a ser admirado. "O superego é para nós o representante de todas as restrições morais, o advogado de um esforço tendente à perfeição — é, em resumo, tudo o que pudemos captar psicologicamente daquilo que é catalogado como o aspecto mais elevado da vida do homem.".

Uma próxima citação de Freud dá vazão ao fato do superego variar no tempo: "O passado, a tradição da raça e do povo, vive nas ideologias do superego e só lentamente cede às influências do presente, no sentido de mudanças novas; e, enquanto opera através do superego, desempenha um poderoso papel na vida do homem, independentemente de condições econômicas.". Complementa nesse mesmo contexto Freud com o fato qual sujeitos de um mesmo grupo identificam-se, por meio de um líder, em relação a seus superegos, chegando essa identificação a nível de ego.

Conforme Freud, não se pode delimitar ego e consciente, por um lado, e reprimido e inconsciente, por outro. Os dois conceitos possuem partes que podem variar da consciência à inconsciência. Pode-se também supor dois tipos de inconsciente, um que é facilmente trazido ao consciente (pré-consciente), e outro tipo que com grande dificuldade (ou impossibilidade) pode irromper na consciência. No entanto, há uma terceira função, ou um terceiro sistema do inconsciente, um ‘verdadeiramente inconsciente', dado a distância existente do ego. Essa região do inconsciente que é alheia ao ego pode ser chamada de id. Com o id, Freud atribui a existência dos instintos como algo físico, e que os processos mentais são representativos de conteúdos desses instintos. Nessa instância inconsciente, a lógica tempo/espaço não existe. Fenômenos reprimidos há muitos anos encontram-se presentes no id como se fossem no momento atual. Isso devido à energia que conservam. Essa energia somente é escoada se por acaso o conteúdo torna-se consciente e ‘morto' pela linguagem. No id, não há moralidade. Há apenas o viés econômico que obedece ao princípio do prazer. Catexias objetais que procuram sua descarga é o que preenche o id. Partes do ego e do superego podem ser inconscientes, mas sem também pertencerem a essa característica irracional.

O ego pode ser diferenciado do id e do superego, a princípio, pelo sistema percepto-consciente. Esse sistema (o mais externo no corpo) está propenso tanto a estímulos externos quanto estímulos internos. O ego é a diferenciação do id que serve para a confrontação com o meio externo. É a ‘pele' revestidora do id. O ego representa o mundo externo frente ao id. Com o processo mental, que confronta a realidade, o ego passa a ser dono da mobilidade do organismo. Dessa forma, destrona o id e o princípio do prazer (que, controlando, iria para a própria destruição) em vias de uma satisfação mais garantida. A idéia de tempo ocorre no advento do ego. Uma evolução do ego se dá além da percepção dos instintos, para o controle destes. No entanto, o ego manipula apenas a representação do instinto. O ego em si, é fraco. Precisa da energia do id, também, para mobilizar-se. Para esse ganho de energia, é mecanismo do ego identificar-se com um objeto externo qual a catexia do id estaria direcionada; desse modo, a energia do id escoa direto ao ego por essa identificação.

Os três tiranos do ego: o superego, o mundo externo e o id. Função do ego é equilibrar as pulsões do id com as exigências do superego e do mundo externo. Se o ego se admite como fraco, não consegue esse equilíbrio, provém a angústia, ansiedade. Freud coloca o seguinte esquema para situar os elementos do aparelho psíquico:

Esquema do aparelho psíquico

 

Como se analisa, há uma parte do superego que coincide com o id. E o superego está mais longe do aparelho perceptual do que o ego. O id se relaciona com o mundo externo apenas a partir do ego. O processo de análise seria, para Freud, o processo de fortalecimento do ego, de modo que se aproprie de mais partes do id. Consolidar isso é uma obra da cultura.

Comentários (1)add comment

Lí­gia Carvalho escreveu:

0
...
Não entendi por que o préconsciente fica acima do ego,até entao antes de ver o esquema havia entendido que o pré-consciente fica acima do inconsciente antes do ego....
mas enquanto ao texto gostei!
 
agosto 02, 2007
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Última atualização em Sáb, 29 de Agosto de 2009 12:32
 
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